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A química dos óleos essenciais

Atualizado: 15 de Out de 2019



Há não muitos séculos, acreditava-se que os óleos essenciais eram a alma das plantas, aquilo que as dava sua graça, seu aroma. No cinema, este pensamento ficou famoso por meio da adaptação do livro O Perfume, de Patrick Suskind. Fato é: há nos óleos essenciais um fascínio que transcende a delicadeza de suas composições ou a elegância dos aromas, algo de sutil e muito poderoso, capaz de nos despertar inspirações, paixões e muito mais. Mas o que são exatamente os óleos essenciais e por que temos ouvido falar tanto deles?

Os óleos essenciais são produzidos pelas plantas em seu metabolismo secundário. O que isso significa? O metabolismo é a totalidade das reações químicas que ocorrem no interior das células. Nas células vegetais o metabolismo se divide em primário e secundário. No metabolismo primário, atua o conjunto de processos responsável, por exemplo, pela fotossíntese, pela respiração e pelo transporte de nutrientes, aquilo que diz respeito À pró´ria existência do vegetal. Os compostos envolvidos no metabolismo primário se distribuem pelo organismo da planta, como é o caso da clorofila, por exemplo.


O metabolismo secundário, por sua vez, gera compostos que são utilizados pelas plantas para sua sobrevivência e na relação com o meio ambiente. As plantas não podem correr ou se esconder, mas há 600 milhões de anos estão tranquilas gerando vida em quase todas as paisagens do planeta. Como elas conseguem sobreviver ao vento, ao sol, aos excessos e ausências de chuvas, luz, nutrientes? Como elas se comunicam com outras espécies e como se relacionam umas com as outras? A resposta está em seu metabolismo secundário, um nome de origem pejorativa, dado por pesquisadores que nos compostos produzidos não viam muita importância.


Tais compostos não se distribuem de maneira universal na planta, como os óleos essenciais, que podem estar em diferentes partes de diferentes espécies ou de uma mesma planta. Esses compostos biogênicos protegem o vegetal de pragas como vírus, bactérias, fungos e insetos. Atuam, além disso, na competição entre plantas e na atração de organismos benéficos, como é o caso dos polinizadores.

Todas as plantas produzem metabolismo secundário, mas nem sempre perceptíveis a nível de aroma. São exemplos de metabólitos secundários: alcaloides, terpenoides, taninos, princípios amargos etc.

As moléculas aromáticas, que são componentes voláteis produzidos pelas plantas, possuem uma série de características e funções biológicas que as tornam eficientes na restauração do equilíbrio orgânico da vida. Com os óleos essenciais as plantas limpam o solo, a água e o ar; se protegem de radiação, orquestram polinizadores, melhoram a qualidade dos ecossistemas, tornando a vida possível.


Em todo nosso organismo temos receptores olfativos. Esses receptores capturam moléculas como as dos óleos essenciais e respondem a elas. Por se tratarem de substâncias com potencial adaptogênico e, portanto, serem capazes de beneficiar nosso estado de saúde no geral, é comum que respondamos bem ao contato com essas partículas, todavia, essa resposta dependerá de cada organismo e muitos fatores.

Os óleos essenciais são muito versáteis, de forma que os inalando ou por meio de aplicações tópicas, como massagens, pode-se obter seus grandes benefícios. Como são considerados substâncias de uso seguro, apesar de superconcentradas, com consciência podem ser utilizados em conjunto com cosméticos naturais, a fim de potencializar os efeitos desejados. Podem, também, ser associados a tratamentos alopáticos ou terapias diversas.


A eficácia dos óleos essenciais é amplamente comprovada. A Aromaterapia surgiu no meio médico/científico e há mais de um século de literatura acadêmica sobre as moléculas aromáticas e seu uso medicinal. Foram já estudadas centenas de aplicações para todos os sistemas do corpo e também para a psique. Os óleos essenciais já provaram seu valor como substâncias altamente versáteis, potentes, seguras nas mãos certas (tudo é dose), verdadeiras poções alquímicas produzidas pelas sábias e velhas plantas...

O assunto é extenso. São muito vastas as formas de uso e os benefícios que se pode obter com o uso dos óleos essenciais e esta é a razão pela qual muito se ouve falar destas intrigantes substâncias. Acompanhe nossas postagens para maiores informações sobre os óleos essenciais e suas aplicações!

Referências:

BASER, Kemal Hüanu Can; BUCHBAUER, Gerhard. Handbook of Essential Oils: Science, Technology and Applications. Flórida, Estados Unidos da América: CRC Press, 2010.

STEWART, David. The Chemistry of Essential Oil. Califórnia, Estados Unidos da América: Cre Publications, 2006.

TISSERAND, Robert. Essential Oil Safety: A Guide for Health Care Professionals. Londres, Reino Unido: Churchill Livingstone, 2014.


#aromaterapia

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