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Sobre Olfato e Sistema Imunológico



VOCÊ SABIA QUE o olfato e o sistema imune estão intimamente relacionados?


A capacidade de perceber os aromas é uma das mais intrigantes funções do nosso corpo, mas o sistema olfativo não é somente uma ferramenta para identificar cheirinhos... Vai MUITO ALÉM disso!


Estudos recentes em biologia molecular, fisiologia, evolução e genética, para mencionar algumas áreas, levaram a ciência a entender melhor as funções do que hoje chamamos de receptores olfativos ectópicos (RO) ou, ainda, receptores quimiossensores.


Esses receptores são chamados de olfativos porque são ativados por moléculas aromáticas que desencadeiam diferentes respostas celulares.


Esses receptores na verdade estão espalhados por todo organismo humano e não apenas no epitélio nasal. Foram encontrados receptores olfativos na pele, nos pulmões, no coração, na retina, nos ossos, no cérebro, em espermatozoides... Em todos os tecidos humanos em que foram procurados até hoje, lá estavam os RO.


A ciência está ainda apenas começando a entender o papel dos RO nas células, mas as descobertas já realizadas são incríveis e prometem um futuro de importantíssimas e intrigantes revelações sobre como nosso corpo funciona e como restaurar a saúde.


Geneticistas acreditam que células-imune primitivas de mamíferos ancestrais continham receptores químicos para as proteger de patógenos externos e que, em algum ponto da evolução dos vertebrados, esses receptores passaram a ser produzidos em outros tecidos e órgãos, oferecendo uma nova habilidade, a capacidade de perceber a presença de patógenos em um ambiente pelo que chamamos de aroma.


Dois grupos de células imunes conhecidas como monócitos e macrófagos utilizam receptores peptídicos formil em suas membranas para detectar a presença de elementos químicos relacionados a agentes patógenos. Na suíça, em um artigo de 2017, ficou demonstrado que ratos utilizam esse mesmo receptor para detectar odores de feromônios.


O sistema olfativo evoluiu a partir do sistema imune justamente como recurso para explorar o universo de partículas proveniente da química dos ecossistemas e seres ao nosso redor.


Isso faz muito sentido porque, sendo possível farejar traços químicos de agentes patógenos na atmosfera, isso dá ao corpo maiores chances de responder às infecções antes de os micróbios chegarem às defesas do hospedeiro.


Esses receptores sempre estiveram envolvidos na percepção de componentes químicos circulando em um sistema e atuam regulando o metabolismo, processos homeostáticos e a resposta imune, por exemplo, mas suas funções vão ainda além disso.


A descoberta dos receptores olfativos ectópicos rendeu aos pesquisadores Richard Axel e Linda Buck um Prêmio Nobel em 2004.


Para você ter ideia da importância disso, com o passar das últimas duas décadas, foi descoberto que determinados receptores olfativos podem ativar funções celulares relacionadas à inibição do crescimento de determinados tumores, por exemplo.


Não apenas: os receptores olfativos também estão envolvidos com a quimiotaxia de espermatozoides e, de fato, foram encontrados mais de 7 receptores olfativos ao longo do corpo de espermatozoides humanos e que atuam na orientação do espermatozoide, nos seus movimentos. Espermatozoides utilizam o olfato para encontrar o caminho certo no organismo feminino para o óvulo!


Há promissores estudos hoje acerca do potencial dos receptores olfativos como alvos terapêuticos para tratar os sistemas cardiovascular, imune, gastrointestinal, geniturinário, nervoso, respiratório e a pele, indo desde a regulação da pressão sanguínea à regeneração de músculos, cicatrizações difíceis, aderência de cálcio, apoptose de tumores, aumento da resposta imune e dezenas de outras queixas e doenças!


Determinados RO, quando encontram na corrente sanguínea ou na microbiota intestinal ou em outro tecido em que estejam um elemento incomum, alheio, possivelmente invasor ou perigoso, logo disparam uma sinalização que culmina numa resposta imunológica.